"Na seara da oposição há carência de ideias, despreparo de propostas e visível narcisismo das principais lideranças."
O Brasil é um País democrático. Um dos fundamentos de uma Nação democrática é que o poder político tem origem em uma delegação temporária dada pelo povo a um partido político ou a uma coligação de partidos, pois ainda não temos as candidaturas independentes.
Outro fundamento da democracia é alternância dos partidos políticos no poder. Assim, os partidos têm dupla função: a primeira é exercer o poder quando vencem as eleições; a segunda é exercer a oposição quando são derrotados.
Em Goiás, no plano estadual, o povo retirou o PMDB do poder e o colocou na oposição em 1998. Isto é, o modo de governar do PMDB foi reprovado pelo povo. Como o velho método foi rejeitado, caberia ao partido exercer a oposição ao novo Governo, liderado pelo PSDB que o derrotou, e elaborar um projeto de administração melhor que o dos adversários, contemplando as aspirações do povo que, entendendo os progressos do partido na oposição, o devolveria ao poder.
Acontece que o PMDB não entendeu a mensagem passada pelos eleitores em 1998. Julgou tratar-se de um engano coletivo, uma piada feita por um certo capitinga. Não cuidou nem de ser oposição efetiva nem de elaborar um novo projeto de governo. Não ouviu os sindicatos, não ouviu os estudantes, os profissionais liberais, nem o comércio, nem a indústria ou agricultura, muito menos os artistas e os intelectuais, menos ainda os seus próprios filiados e divorciou-se dos servidores públicos.
Cego para ver e surdo para ouvir os sinais que a sociedade incessantemente lhe mandou, o PMDB repetiu os mesmos nomes, os mesmos métodos, as mesmas propostas e os mesmos erros em 2002, 2006 e 2010. Colhendo a cada quatro anos uma derrota mais acachapante que a outra, sendo eliminado da representação no Senado e diminuído da representação na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.
A derrota de 2010 até hoje não cessou seus efeitos devastadores no seio do partido. Dezenas de filiados o deixaram voluntariamente, outros por ameaça de expulsão e outros por terem seus projetos bloqueados por uma ordem incontestável de apoiar o candidato do PT à prefeitura de Goiânia.
Ao final do longo e doloroso processo de expurgo não sobrou no maior partido de Goiás sequer um nome capaz de liderar um diálogo com a sociedade, a fim de ouvir dela as suas demandas, para formular um novo projeto de governo. Apresentar propostas compatíveis com as aspirações da nova sociedade urbana e a nova classe média, que emergiu da sociedade agrária dos idos de 1982, quando o PMDB chegou ao poder.
Repetindo os mesmos velhos métodos de não ouvir ninguém, não debater e não discutir questão alguma, uma meia dúzia de lideres, utilizando as conversações obscuras, passaram a impor um novo e exclusivo método de renovação dos quadros partidários. O de importar políticos de qualquer partido, da direita e da esquerda, para que fossem candidatos a governador, deputado, prefeito, vereador ou senador. O único critério para ser admitido ao maior partido do Brasil é declarar-se inimigo de Marconi Perillo. Note-se que um projeto para o bem da sociedade goiana em nenhum momento é cogitado.
No último domingo, assistimos as forças que nutrem repúdio pessoal ao atual governador de Goiás se unirem num convescote para dar demonstração do poder de fogo e destruição que estão montando para atingir Marconi Perillo.
Na comilança de Senador Canedo não houve sequer um esboço daquelas lideranças em apresentar à sociedade goiana um projeto ou projetos de administração que superassem em eficiência, qualidade e economia o Governo eleito pelo povo. Ouvi entrevistas nas quais se dizia que em breve teríamos saudade do Governo Alcides, de trágica memória.
Vanderlan, Alcides, Braga, Mabel, Friboi, Paulo Garcia e outros se alimentaram mutuamente de ódio ao atual governador. Mas nenhum deles se propôs a apresentar e a debater com a sociedade soluções melhores que as do PSDB para segurança, saúde, educação, mobilidade urbana, transporte coletivo, meio ambiente, habitação, reforma política, reforma tributária, empregabilidade, saneamento e qualificação do serviço e dos servidores públicos, dentre outros temas.
A sociedade espera que a oposição fiscalize e produza propostas melhores que as do Governo que combate. Todavia, na seara da oposição há carência de ideias, despreparo de propostas e visível narcisismo das principais lideranças.
(Dr. Ênio Salviano da Costa é fundador é filiado ao PMDB, Graduado e pós-graduado pela UFG e FGV-SP. Advogado, Ex-presidente da Comissão de Ética e Disciplina do PMDB-GO.)




Comentários